Para compreendermos uma palavra, nosso cérebro faz diversas ligações amplas e contextuais simultaneamente, em segundo plano e de forma automática.
Se pensarmos, por exemplo, na frase “A cidade é perigosa à noite”, diversos conceitos de outros domínios mentais são ativados para que a sentença ganhe sentido pleno. “Noite” só pode ser compreendida com a noção de escuridão, do ciclo de 24h do dia, do movimento de rotação da Terra, etc.
Essas ligações são construídas de forma ampla: uma coisa sempre está no domínio de outra. Partes do corpo só têm sentido se relacionadas a partes maiores, que só fazem sentido se relacionadas ao corpo todo.
É assim com qualquer palavra! Imagine que, ao invés de um dicionário (palavra-significado), nós tenhamos uma enciclopédia na cabeça (múltiplas informações).
Em resumo, ativamos conhecimentos de diversas áreas o tempo todo e sequer percebemos! Sempre que exercemos a linguagem, relacionamos domínios ampla e genericamente para atribuir sentido.
Exemplo: Quando pensamos na palavra CAFÉ, ativamos diversos conhecimentos de fundo que funcionam como sua base. Para compreendê-la, nosso cérebro pode acessar os domínios de ALIMENTOS, de AGRICULTURA e até de ECONOMIA, dependendo do contexto comunicativo.
Referências
FERRARI, Lilian. Introdução à linguística cognitiva. São Paulo: Contexto, 2020. p. 59-61.
GEERAERTS, D. (Ed.). Cognitive linguistics: basic readings. Berlin: Mouton de Gruyter, 2006. p. 97-102.
LANGACKER, Ronald W. Foundations of cognitive grammar. Volume 1: Theoretical prerequisites. California: Stanford University Press, 1987. p. 99-108.
MARTELOTTA, Mário Eduardo; PALOMANES, Roza. Linguística Cognitiva. In: MARTELOTTA, Mário Eduardo (org.). Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2011. p. 177-192.
