Frases como “chutar o balde”, “arrancar os cabelos” e “mãos à obra” são comumente usadas na nossa fala do dia a dia. Chamadas de “expressões idiomáticas”, quando utilizadas, o sentido literal presente na formação dessas frases é perdido, visto que o significado não pode ser deduzido pela soma dos significados das palavras que as compõem. Elas funcionam como construções metafóricas estabilizadas pelo uso na comunidade linguística.
Expressões idiomáticas resultam de processos cognitivos, como metáforas e associações conceituais, que organizam a forma como os falantes compreendem e representam experiências. Por isso, seu significado deve ser compreendido como uma unidade de sentido convencional da língua, tal como uma palavra. Essas expressões refletem formas culturalmente compartilhadas de conceptualizar experiências e, por isso, fazem parte do conhecimento lexical e cultural dos falantes.
Exemplos: “Chutar o balde” não significa literalmente dar um chute em um balde, mas perder a paciência ou desistir de algo temporária ou permanentemente. Ou ainda, “arrancar os cabelos” não implica a ação literal de arrancar os cabelos da cabeça e, sim, uma forma de expressar sentimentos fortes de frustração ou desespero.
Referências:
GEERAERTS, D. (Ed.). Cognitive linguistics: basic readings. Berlin: Mouton de Gruyter, 2006. p. 97-102.
ROCHA, Camila Maria Corrêa. As expressões idiomáticas da língua portuguesa em dicionários monolíngues. Revista de Ensino, Educação e Ciências Humanas, Londrina, v. 12, n. 2, p. 11–18, 2011. Disponível em: https://revistaensinoeeducacao.pgsskroton.com.br/article/download/760/727.
